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Fábio de Macedo Soares Guimarães, engenheiro, geógrafo e professor, nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 23 de abril de 1906, filho de Celso Eprigio Guimarães e de Noemia de Macedo Soares Guimarães. Atuando no Serviço de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura, transfere-se para o Instituto Nacional de Estatística juntamente com o grupo pioneiro formado por especialistas convidados a colaborar com a política governamental empenhada, naquele momento, em unificar o serviço estatístico federal, centralizando-o em um único órgão, o Instituto Nacional de Estatística - INE -, criado em 1934 e só efetivamente instalado em 1936.

Especializado em Planejamento Regional, foi um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia (1937), órgão pertencente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, já não mais denominado INE pela incorporação da Geografia à sua nova estrutura (1938). Desempenha no Conselho Nacional de Geografia - CNG - altas funções gerenciais e técnicas, ocupando os cargos de Secretário Geral, Chefe da 4ª Seção de Estudos Geográficos e Estatística Territorial, do Serviço de Geografia e Estatística Fisiográfica, Chefe da Divisão Cultural, Chefe da Divisão de Geografia e Assistente Coordenador de Geografia.

Considerado um dos mais completos geógrafos de sua geração, desenvolve estudo sobre divisão regional do Brasil, seguindo o objetivo da campanha levada a efeito pelo CNG para adoção de uma forma única de organização regional para o País. Elogiada por não desmembrar as unidades políticas, a proposta de divisão regional apresentada por Fábio de Macedo Soares Guimarães ao Conselho - Resolução n° 72, de 14 de julho de 1941 -, ajusta-se aos fatores naturais clima, vegetação e relevo, bem como se serve da posição geográfica para nomear as Grandes Regiões, ao mesmo tempo em que atende às necessidades da administração pública, razões suficientes para que fosse adotada como Primeira Divisão Oficial do Brasil, através da circular n° 1 de 31 de janeiro de 1942, emitida pela Secretaria da Presidência da República.

Na qualidade de Chefe da Divisão de Geografia integra, em 1945, a Comissão enviada pelo IBGE para uma viagem de estudo e aperfeiçoamento profissional aos Estados Unidos, formada também pelos geógrafos e especialistas Orlando Valverde, Lúcio de Castro Soares, Lindalvo Bezerra dos Santos e José Veríssimo da Costa Pereira. Durante sua permanência na Universidade de Wisconsin aprende matérias que aplicaria em planejamento regional, área de seu interesse, ao freqüentar cursos de verão e inverno em que estuda Geografia do Extremo Oriente, África e América Central, entre outros assuntos relevantes. Juntamente com Orlando Valverde, naquela Universidade faz cursos especiais, sendo o mais importante o de leituras e debates sobre Geografia Tropical, verdadeira aula particular com o professor Leo Waibel, um dos maiores geógrafos do século XX.

O contato com o mestre o aproximaria mais ainda da moderna técnica da pesquisa geográfica por ocasião da vinda de Waibel ao Brasil à convite do Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia, Christovam Leite de Castro, oportunidade em que aluno e professor de tempos anteriores atuariam, então, em trabalhos voltados para a mesma área, como no caso em que ambos participam dos estudos para determinação do sítio do futuro Distrito Federal, em 1947.

Publicou trabalhos científicos em que o tema planejamento regional prepondera sobre os demais assuntos presentes em sua produção intelectual. Destaca-se em sua obra o relatório que serviu de base para a Constituição de 1946 promulgar em seu art. 4º, Ato das Disposições Transitórias, a transferência da capital da União do Rio de Janeiro para o Planalto Central fato, sem dúvida, marcante em sua trajetória de emérito pesquisador da ciência geográfica. Amplia sua área de atuação para além do IBGE ao publicar obras editadas pelo Ministério das Relações Exteriores, em colaboração com outros autores.

Acresce à sua carreira de geógrafo a atividade de professor, uma e outra se completando pela integração de conhecimentos que a área comum propicia. Leciona Geografia do Brasil, na Faculdade Católica de Filosofia (Pontifícia Universidade Católica - PUC), no Curso de Geografia e História (1943-1973) e, posteriormente, atuando como Professor Adjunto no Curso de Geografia (1973-1979). Após aposentar-se no IBGE (1968), dedica-se exclusivamente ao magistério ocupando o cargo de Diretor do Departamento de Geografia daquela Universidade, função que desempenharia até seu falecimento transcorrido em 1979.


Fotos

Posse de Fábio de Macedo Soares Guimarães (5º esq./dir.) no cargo de Secretário-Geral do Conselho Nacional de Geografia (CNG). Esq./dir.: Wilson Távora Maia (2º), Rio de Janeiro, fev. 1961. Acervo Memória IBGE.
Fábio de Macedo Soares (de frente) em expedição geográfica. [s.d.]. Acervo Memória IBGE.
Despedida de Fábio de Macedo Soares Guimarães (3º esq./dir. em primeiro plano) ao deixar o cargo de Secretário-Geral do Conselho Nacional de Geografia (CNG), Rio de Janeiro, nov. 1961. Acervo Memória IBGE.
Despedida do engenheiro Fábio de Macedo Soares Guimarães (2º esq./dir.) ao deixar o cargo de Secretário-Geral do Conselho Nacional de Geografia (CNG), Rio de Janeiro, nov. 1961. Acervo Memória IBGE.
Missa comemorativa do 10º aniversário de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). Esq./dir. 1º plano, Fábio de Macedo Soares Guimarães (2º), Mário Augusto Teixeira de Freitas (3º), Heitor Bracet (4º), Christovam Leite de Castro (5º), Rio de Janeiro, 1947. Acervo Memória IBGE.


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